Bruno Henrique Rebelo, Advogado

Bruno Henrique Rebelo

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Thiago Marino, Economista
Thiago Marino
Comentário · há 12 anos
Sem querer bancar o Advogado do Diabo aqui, mas gostaria de expressar alguns pontos sobre a questão.

"Pela proposta aprovada, terão direito a disputar as vagas reservadas os candidatos que se autodeclararem pretos ou PARDOS no ato da inscrição do concurso."

Primeiro que, pardo é o termo eufemista para não falar "mestiço", em pardo incluem-se cablocos (europeu + indígena), cafuzos (indígena + africano) e mulatos (europeu + africano). E aí? Verdade seja dita, é muito difícil na população brasileira determinar seus ancestrais sem que haja algum vestígio de mestiço, porém devemos recordar que sua etnia é algo auto-declarada.

Percebe-se também um certo pavor de associar-se a uma descedência africana/índigena, verdade seja dita, frequentemente, é mais difícil traçar uma linha de ancestrais dessas etnias, seja por falta de registros, desconhecimento ou vergonha e visível uma certa preferência pela descendência "européia", seja ela materna ou paterna. Parte da culpa recaí desde o período Imperial, que teve uma forte pressão para "enbranquecer" a população brasileira durante o período da imigração européia.

Segundo ponto, esse mais histórico, é que a Escravidão no Brasil terminou oficialmente em 1888. Ou seja, faz 126 anos. Parece muito tempo, quando na verdade não é! A escravidão no Brasil existe desde o descobrimento, com os Índios em 1500. Temos um estrago de um sistema escravista que permaneceu por 388 anos, além disso, as pessoas que assumiram o Brasil após a proclamação da República (A República Velha), são os latifundiários, que permanecem no poder até o fim do Café com Leite (1929). Durante 1888 - 1929 houveram Pouquíssimos avanços na desigualdade social entre brancos e as outras duas etnias.

Vamos pegar agora dados atuais:

Os 40% mais pobres da população brasileira eram responsáveis por 13,3% da renda total do país, enquanto os 10% mais ricos tinham 41,9% em 2012. (IBGE)

E o mesmo IBGE afirma:

"Em 2002, nos 10% mais pobres da população, 71,5% eram pretos e pardos e 27,9% eram brancos, enquanto o 1% mais rico era composto de 87,7% de brancos e 10,7% de pardos. Em 2012, a proporção passou para 75,6% de negros e 23,5% de brancos entre os 10% com menores rendimentos e para 81,6% de brancos e 16,2% de pretos e pardo no 1% da população com as maiores rendas."

Se fosse, pessoalmente, para optar entre"pobreza"e"etnia"como fator mais efetivo para as cotas, eu seria a favor da pobreza, usando a mesma lógica do Bolsa Família, incluso aqui o seu alto rigor de avaliação. Entretanto, afirmar que não haverá justiça alguma em cotas raciais, na minha opinião também, é falacioso.

Por último, uma crítica pessoal.

Haverá sim justiça nas cotas. Não é uma ofensa intelectual ao negro, principalmente. Há pouquíssimos deles exercendo cargos públicos de alto nível ou em universidades federais. Você enxerga isso facilmente na sua cidade. Ninguém prega esse igualitarismo que tem no setor público federal nas escolas públicas ou hospitais públicos. Quem tem dinheiro, paga hospitais e escolas particulares, mas na hora de serviço público e universidade pública, todo mundo é "Brasileiro é um povo feliz, alegre e misturado, onde todo mundo dá as mãos, não existe preconceito de raça, logo não é necessário cotas. Cotas é racismo."

Isso me cheira a hipocrisia. E para quem me falar que o que é necessário é "Mudanças estruturais profundas na educação, não cotas" Mudanças estruturais na educação são coisas lentas demais para acompanhar a sociedade sem sacrifício de gerações (Pesquise o que foi isso na Coréia do Sul, por exemplo), tão lentas quanto o desaparecimento das mazelas de várias gerações de escravos e do preconceito. Existem muitos outros fatores, como o envelhecimento x a taxa de natalidade x riqueza do cidadão classe média, mas não vou me prolongar mais.

Falo aqui como um descendente de alemães, mas também filho de uma mãe negra, que não conhece a linhagem materna.
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